sábado, 10 de dezembro de 2011

Terça-feira, 3

Querido Diário Otário,

           Acho que hoje eu estive muito próxima de ganhar um apelido, o que é praticamente a pior coisa que pode acontecer pra você num colégio. Eu estava comendo um pêssego no recreio e outro pêssego caiu da minha mala. O Mário Pinsetti, aquele idiota que só consegue respirar pela boca e que, para o meu azar, estava ali do meu lado, disse:
          - Ô Pesseguilda!
          Ele é praticamente o "apelideiro" oficial do colégio e, apesar de serem sempre idiotas, os apelidos que ele dá acabam durando para sempre. (Não acredita em mim, Diário? Então pergunte ao "Bundão Bundeira", um dos primeiros apelidados por Pinsetti. Eu nem sei qual é o nome verdadeiro do menino. Ninguém sabe. Ele é chamado de Bundão Bundeira há tanto tempo que até a mãe dele já chamou ele de Bundão uma vez, quando estava deixando ele na escola.
          - Tchau, Bundãozinho!
          Quando percebeu o que tinha feito, ela tentou ajeitar:
          - Temos muito orgulho de você!


          Voltando à história dos pêssegos. Eu peguei aquela fruta maligna rapidinho e enfiei na mochila, achando que ninguém tinha ouvido Pinsetti. Isso com certeza anularia a validade do apelido. Mas, então, uma adorável risada tilintou nos meus ouvidos, como o som de alguém acariciando a barriguinha de um bebezinho fofo com um filhotinho macio. Quando me virei, lá estava ninguém mais, ninguém menos que Angelina, que estava com certeza fixando o apelido para sempre em sua memória.
          Agora é só questão de tempo até que eu esteja assinando meus trabalhos como PESSEGUILDA.

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