Querido Diário Otário,
Eu sou esquisita?
Tive que ir para a enfermeira hoje, porque acho que a minha mãe me envenenou acidentalmente com uma coisa melequenta e meio macarrônica que ela preparou para o jantar de ontem e que tinha um gosto que parecia muito com cheiro de meia.
Eu achei que a enfermeira ia me dar um remédio, mas me enganei. Ela só me deu um chazinho e me fez ficar deitada na maca por um tempo. Claro, é bem assim que se desintoxicam as pessoas.
Foi bem chato, é claro, ficar lá deitada, tentando não sentir os efeitos do envenenamento, por isso comecei a olhar ao redor. E foi aí que eu vi aquilo na cesta de lixo: um longo chumaço de cabelo, lindo e loiro. O cabelo da ANGELINA.
Mas aqui chega a parte esquisita: eu peguei o cabelo. Não sei por que, afinal não pretendo fazer um vudu pra ela nem nada.
Ainda.
Eu tinha que ter aquele cabelo.
Caso você esteja preocupado comigo, Diário Otário, no fim das contas eu não estava envenenada mesmo. A enfermeira disse que era apenas uma "dispepsia", que eu acho que é o termo médico para dizer que eu tinha dentro de mim uma imensa, gigantesca quantidade de gás tóxico, capaz de matar um cavalo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário