Tá bem,
tá bem. Eu sei que ontem mesmo escrevi que você devia ficar feliz com seu
cabelo do jeito que ele é. Acho que eu estava tentando ser mais receptiva com
pessoas com lindos e perfeitos cabelos loiros ou talvez estivesse querendo
brincar de cientista, mas o fato é que hoje eu decidi comprar uma daquelas tintas
pra cabelo para aplicar em casa. (Talvez você nunca tenha percebido, Diário,
mas eu tenho alguns probleminhas com meu cabelo.)
Escolhi a
tinta que mais se parecia com a cor do cabelo da Angelina, que é um tom chamado
“Radiante Brilho do Sol”. Eu não estava tentando copiar a Angelina, foi só
coincidência que essa tenha sido a primeira cor que eu peguei na quarta loja em
que fui procurar.
Eu devia
ter pedido ajuda para a Isabella na hora de pintar, mas não estava muito a fim
de ouvir sermões sobre como eu devia me aceitar do jeito que sou, enquanto
fingia não reparar que ela estava num nível avançado de um probleminha que os
médicos chamam de “Boca de Lagarto”.
Por isso,
eu me tranquei no banheiro e tingi os cabelos sozinha.
(Aliás, isso me lembra de uma coisa.
Descobri por que eles dizem que você muda quando pinta os cabelos. Mudar-se é a
única coisa que você pode fazer depois que vê o resultado.)
O que
deveria ter ficado um “Radiante Brilho do Sol” acabou ficando com cor de
galinha. Se eu me escondesse no meio da fazenda, acho que ninguém me achava
mais.
Então, eu
tive que voltar à loja e comprar uma tintura que fizesse meu cabelo voltar à
cor original, antes que a minha mãe ou a Isabella enchessem o meu saco por
causa da minha falta de auto-estima.
Tirei um
chumaço do meu cabelo antigo da minha escova de cabelo para poder escolher a
tinta, uma coisa que eu não tinha achado que era nojenta até que eu vi a cara da balconista quando eu entreguei o
chumaço para ela me ajudar a achar o tom. Felizmente, eles tinham o tom
perfeito, que eu trouxe para casa e usei para voltar ao normal.
Aliás,
lembra que o nome da cor de cabelo da Angelina é “radiante brilho do sol”, né?
Pois o nome da cor do meu cabelo é porco-do-mato.
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