quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Quinta-feira, 19


Querido Diário Otário,

          Tá bem, tá bem. Talvez a Angelina ainda me incomode um pouquinho. Mas eu TINHA que pegar a ficha dela, e o único jeito de fazer isso era ser mandada de volta pra diretoria.
          Então, na hora do lanche, a Bruntford – pescoço gordo com a tia da cantina embutida – perdeu a cabeça e disse que ninguém podia sair da cantina até que o bolo de carne tivesse acabado. Ela ficou nos encarando, nós ficamos encarando ela. Dava para sentir o cheiro da tensão no ar: um cheiro bem melhor que o do bolo de carne, por sinal.


          De repente, um pedação seboso e brilhante de bolo de carne passou voando por cima de nossas cabeças e espatifou-se exatamente no pescoção gordo da Bruntford.
          Ela começou a gritar, xingar e perguntar quem é que tinha feito aquilo. Parecia a oportunidade perfeita, por isso eu disse que eu tinha jogado a coisa. Um atalho para a sala da diretoria!


          Mas olhe só: enquanto ela me arrastava para fora da cantina como se eu estivesse no Linha Direta, fui olhando para as bandejas de todo mundo. Eu vi bolo de carne, bolo de carne, bolo de carne... e, de repente, uma bandeja sem bolo de carne. Quando olhei para cima, vi que a dona da bandeja era Angelina, e ela estava limpando o molho das mãos com um guardanapo.
          ANGELINA!!! Ela tinha jogado o bolo de carne, e eu tinha levado a culpa!


          Claro que eu levei uma bronca do diretor e tive até que ouvir o sermão quediaboéistico. Além disso, ele me proibiu de comer na cantina durante duas semanas. (Decerto, ele achou que esse castigo era muito ruim mesmo...)
          Para deixar as coisas ainda piores, é claro que não peguei a ficha da Angelina. (Pô, o que eu podia fazer? Acertar o diretor com um chutão de caratê, catar a ficha e sair correndo?) Enfim, minha idéia foi muito idiota. Nunca mais vou fazer uma coisa tão boba.

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