Querido Diário Otário,
Tá bem, tá bem. Talvez a Angelina
ainda me incomode um pouquinho. Mas eu TINHA
que pegar a ficha dela, e o único jeito de fazer isso era ser mandada de volta
pra diretoria.
Então, na hora do lanche, a Bruntford
– pescoço gordo com a tia da cantina embutida – perdeu a cabeça e disse que
ninguém podia sair da cantina até que o bolo de carne tivesse acabado. Ela
ficou nos encarando, nós ficamos encarando ela. Dava para sentir o cheiro da
tensão no ar: um cheiro bem melhor que o do bolo de carne, por sinal.
De repente, um pedação seboso e
brilhante de bolo de carne passou voando por cima de nossas cabeças e
espatifou-se exatamente no pescoção gordo da Bruntford.
Ela começou a gritar, xingar e
perguntar quem é que tinha feito aquilo. Parecia a oportunidade perfeita, por
isso eu disse que eu tinha jogado a coisa. Um atalho para a sala da diretoria!
Mas olhe só: enquanto ela me
arrastava para fora da cantina como se eu estivesse no Linha Direta, fui
olhando para as bandejas de todo mundo. Eu vi bolo de carne, bolo de carne,
bolo de carne... e, de repente, uma bandeja sem bolo de carne. Quando olhei
para cima, vi que a dona da bandeja era Angelina, e ela estava limpando o molho
das mãos com um guardanapo.
ANGELINA!!!
Ela tinha jogado o bolo de carne, e eu tinha levado a culpa!
Claro que eu levei uma bronca do
diretor e tive até que ouvir o sermão quediaboéistico. Além disso, ele me
proibiu de comer na cantina durante duas semanas. (Decerto, ele achou que esse
castigo era muito ruim mesmo...)
Para deixar as coisas ainda piores, é
claro que não peguei a ficha da Angelina. (Pô, o que eu podia fazer? Acertar o
diretor com um chutão de caratê, catar a ficha e sair correndo?) Enfim, minha
idéia foi muito idiota. Nunca mais vou fazer uma coisa tão boba.
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